Como a taxa de juros afeta o mercado imobiliário?




O Comitê de Política Monetária – COPOM é um órgão criado em 1996 pelo Banco Central do Brasil com o objetivo de estabelecer as diretrizes da política monetária brasileira e definir a taxa básica de juros da economia – SELIC que norteia todas as demais taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras no Brasil.

A decisão sobre a taxa SELIC é feita observando a expectativa da inflação e o desempenho da atividade econômica como a produção e o emprego. Para se ter um controle sobre a liquidez da moeda e sua circulação, o Banco Central determina qual tipo de política monetária adotará: a expansionista ou a contracionista.

A política contracionista é realizada com o intuito de controlar a inflação, reduzindo a disponibilidade de moeda e crédito, gerando um aumento da taxa de juros. Esse aumento dos juros, visto que o crédito ficou mais caro, reduz o consumo das famílias, os investimentos das empresas e da economia no geral. Por outro lado, a política expansionista, com o objetivo de expandir a economia, aumenta a oferta de moeda e crédito e, consequentemente, os juros reduzem, causando um aumento do consumo e dos investimentos devido ao crédito mais barato.

Como o cenário atual do Brasil é de inflação baixa e controlada, a decisão tomada pelas autoridades monetárias nos últimos anos é de tentar aquecer a economia através da redução da SELIC, que hoje encontra-se no menor nível histórico, ao ser definida em 2,25% ao ano. Isso torna o crédito mais acessível à população e às empresas, para adquirirem empréstimos e financiamentos, pois as taxas cobradas pelos bancos tendem a seguir a mesma direção da SELIC.

Com a redução da SELIC, as taxas de financiamento tendem a reduzir, mas não de maneira igual à SELIC, pois outros fatores são considerados pelos bancos, como a taxa de inadimplência, taxa de desemprego e o risco de crédito.

Com o crédito mais barato, a procura por imóveis tende a aumentar, assim como os financiamentos. Estudo feito pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança – ABECIP, em junho de 2020, corrobora com as informações passadas ao demonstrar que os créditos imobiliários com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo – SBPE tiveram um crescimento no número de imóveis financiados. Ao analisar os dados deste ano, de janeiro a maio, com a SELIC começando a 4,5% e finalizando a 3% neste período, houve um aumento de 19,3% das unidades financiadas comparado ao mesmo período do ano passado, quando a SELIC estava em 6,5%. Em termos financeiros, esse aumento foi em torno de 23%.

Portanto, os juros baixos e o crédito mais acessível podem trazer boas oportunidades para quem pretende adquirir a casa própria ou investir em imóveis. Mas atenção: para fazer um bom negócio, é necessário realizar pesquisas para buscar os preços mais atrativos e, também, comparar as taxas de juros para financiamento imobiliário, que variam entre as diversas instituições financeiras.



02/07/2020